Que coisa é a vida.
Esse pequeno círculo girando o tempo todo em torno de si mesmo. Ou de mim mesmo.
Que nunca pára. Como se fosse um pequeno relógio.
Não sei que tipo de relógio. Mas está sempre tentando alcançar alguma coisa.
Será que “alcançar alguma coisa” se chamaria “hora certa”?
Mania da existência de viver em função da hora certa.
A hora que parece nunca chegar, mas é a hora sensata.
Mania de querer fazer tudo como manda o figurino.
Café da manhã tem que ser sempre antes do trabalho com gosto de iogurte e obrigações diárias, que logo cedo, talvez se resumam a comer frutas.
Nunca é tapioca vendo o pôr-do-sol. Isso sairia e muito do script do relógio que fica circulando em torno de nós mesmos. Nenhum relojoeiro conseguiria resolver esse problema.
Diga-se de passagem: o relojoeiro nesse processo somos nós mesmos. Mania de controlar o tempo e afins. Mania de “hora certa”
E a hora certa para viver? Hora certa pra amar. Hora certa pra sofrer. Verdade que tudo tem seu tempo.
Mas dolorosa também é a verdade de passar o tempo esperando uma hora que nunca chega. Até porque, abstraindo por segundos do relógio, ele passa de 10 paras três para às 5 e meia, em apenas um cochilo.
Dorme-se no ponto esperando a hora certa.
Vamos ser prudentes. Vamos almoçar de meio dia. Tomar um café às 13:30.
Vamos dar volta sobre nós mesmos para assim, finalmente, começar a sentir alguma vertigem.
E haja tempo para isso.
Estaremos seguindo algum tipo de script com final feliz?
Sensatez. Quem inventou essa palavra, provavelmente tem 12 relógios em casa.
E provavelmente, sabe responder essa pergunta.
Mas tudo bem. Faz de conta que por um segundo, você esquece todos os relógios do mundo.
Faz de conta que todos eles pararam.
Agora, sim, você tem controle sobre o tempo.
Quando o relógio para, é a vida que começa a girar em torno de você.
É isso.
Aí sim dá vertigem, calafrio e até medo.
Mas é vertigem boa.
É vertigem que não espera a hora certa. Porque não existe hora pra nada.
É vertigem de saber que a vida não está passando por mim enquanto eu “não perco a hora”.
O tempo parou.
E parou. E parou.
e por um passe de mágica, só assim, a vida me consertou.
terça-feira, 14 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Abajur
O dia apagou a luz.
Quem pediu para anoitecer?
Não era eu que pedia estrelas quando podia ter o céu azul.
Quando podia ver todos os seus detalhes e não sentir medo.
Mas o incrível era que o frio não veio junto com a noite.
Ela veio aquecida.
Bem de repente.
De repente e devagar como deve ser.
Mais rápido, quando não se espera.
Quando pega de surpresa.
E apega.
E lá se foi a noite.
De repente, o dia acendeu a luz.
E agora, a saudade tem nome.
.
apaga a luz?
Quem pediu para anoitecer?
Não era eu que pedia estrelas quando podia ter o céu azul.
Quando podia ver todos os seus detalhes e não sentir medo.
Mas o incrível era que o frio não veio junto com a noite.
Ela veio aquecida.
Bem de repente.
De repente e devagar como deve ser.
Mais rápido, quando não se espera.
Quando pega de surpresa.
E apega.
E lá se foi a noite.
De repente, o dia acendeu a luz.
E agora, a saudade tem nome.
.
apaga a luz?
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Rumo, prumo e afins.
Do abraço,
se fez um rumo
de um ninho: só pode ser um caminho.
Sem volta?
Não. Sem saída.
Me peguei dando voltas.
Em volta, era um abraço.
Meu passo.
Teu laço.
É a saudade.
é você de volta.
e eu? Perdi o rumo.
Meu prumo? É você.
se fez um rumo
de um ninho: só pode ser um caminho.
Sem volta?
Não. Sem saída.
Me peguei dando voltas.
Em volta, era um abraço.
Meu passo.
Teu laço.
É a saudade.
é você de volta.
e eu? Perdi o rumo.
Meu prumo? É você.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Mil Nomes
Era uma vez um cavalo e um monte de cavalos iguais a ele. Mas o que
vamos descobrir agora é que ele não é bem igual aos outros. Esse cavalo
não tem nome. Ele é o cavalo de vários nomes. Todo dia chega uma
criancinha nova e dá um nome a esse cavalo.
Ele é um cavalinho de um carrossel. E ele não é bem igual aos outros
do mesmo carrossel. O cavalo de mil nomes tem um sonho. Ele quer levar
suas crianças pra muito mais longe dali. Até onde nem seus pais possam
enxergar, mas mesmo assim nem pensem em ficar preocupados. Eles
confiam nos cavalos de Mil Nomes. E as crianças confiam ainda mais. Elas
contam segredos que nem contam
para seus amigos. Elas fazem carinho na sua cabeça, como se ele fosse um
cavalo qualquer por aí, fofinho. Cheio de brilho. Mas o que elas não
sabem, é que o brilho mesmo dele vem de um lustra móveis. Bem, mas isso
é apenas um detalhe.
O importante agora é que cavalo de Mil nomes recebe nomes engraçados.
Ele já foi chamado de melancia, de corcel (que honra), de espadinha. E
acredite, hoje, um menininho triste o chamou de amigo. Simplesmente
amigo.
Foi ali que Mil nomes quis sair do seu simples carrossel. Ele quis voar.
Como pode? Um cavalo preso a outros cavalos. A mil charretes. Voar?
De tanto brincar com criancinhas, Mil nomes criou lugares imaginários. Na
idade dele, porque mil nomes já tem 40 anos, não é muito comum criar
amigos imaginários. Mas lugares, sim.
Mil nomes já quis ir pra Grécia. Já quis brincar com cangurus na Austrália.
De tanto carregar crianças, eles às vezes sonha que é um canguru.
Ele já quis fazer parte daqueles filmes de faroeste. Já sonhou em ser
um desses cavalos por aí, valentes. Desses do filme que o moço que toma
conta de carrosssel assiste antes de ir pra casa. Nesses momentos em que
eles está sozinho. Sem crianças, sem alegria, sem pirulitos.
ah. Mil nomes tem um segredo. Quando as crianças estão longe, os adultos
viram crianças. eles sobem em Mil nomes escondido - é nessas horas ele
fica morrendo
de dor nas costas - e começam a brincar.
É por isso que Mil Nomes é um cavalinho feliz. Não só por que ele é
amigo.
Ele é feliz porque não é só ele que tem sonhos. Naquele carrossel, todo
mundo aprende com uma criança. O mundo vai girando, e lá está Mil
nomes indo de cima pra baixo, de
baixo pra cima. Mil nomes fica triste quando se despede das crianças. Mas
faz parte do
trabalho, né? Hoje ele ficou feliz de novo.
Aquele menininho, que o chama de amigo, disse que sentiu a falta do
cavalinho. Disse que ontem, Mil nomes levou ele pra passear, pra bem longe dali.
É isso que deixa Mil nomes verdadeiramente feliz.Ele tem mil nomes.Já conheceu vários lugares. Já foi pra bem longe.
Tudo isso, só rodando e indo de cima pra baixo, de baixo pra cima. Tudo isso no mesmo lugar. E acredite. Ainda assim, ele é capaz de sentir saudades.
vamos descobrir agora é que ele não é bem igual aos outros. Esse cavalo
não tem nome. Ele é o cavalo de vários nomes. Todo dia chega uma
criancinha nova e dá um nome a esse cavalo.
Ele é um cavalinho de um carrossel. E ele não é bem igual aos outros
do mesmo carrossel. O cavalo de mil nomes tem um sonho. Ele quer levar
suas crianças pra muito mais longe dali. Até onde nem seus pais possam
enxergar, mas mesmo assim nem pensem em ficar preocupados. Eles
confiam nos cavalos de Mil Nomes. E as crianças confiam ainda mais. Elas
contam segredos que nem contam
para seus amigos. Elas fazem carinho na sua cabeça, como se ele fosse um
cavalo qualquer por aí, fofinho. Cheio de brilho. Mas o que elas não
sabem, é que o brilho mesmo dele vem de um lustra móveis. Bem, mas isso
é apenas um detalhe.
O importante agora é que cavalo de Mil nomes recebe nomes engraçados.
Ele já foi chamado de melancia, de corcel (que honra), de espadinha. E
acredite, hoje, um menininho triste o chamou de amigo. Simplesmente
amigo.
Foi ali que Mil nomes quis sair do seu simples carrossel. Ele quis voar.
Como pode? Um cavalo preso a outros cavalos. A mil charretes. Voar?
De tanto brincar com criancinhas, Mil nomes criou lugares imaginários. Na
idade dele, porque mil nomes já tem 40 anos, não é muito comum criar
amigos imaginários. Mas lugares, sim.
Mil nomes já quis ir pra Grécia. Já quis brincar com cangurus na Austrália.
De tanto carregar crianças, eles às vezes sonha que é um canguru.
Ele já quis fazer parte daqueles filmes de faroeste. Já sonhou em ser
um desses cavalos por aí, valentes. Desses do filme que o moço que toma
conta de carrosssel assiste antes de ir pra casa. Nesses momentos em que
eles está sozinho. Sem crianças, sem alegria, sem pirulitos.
ah. Mil nomes tem um segredo. Quando as crianças estão longe, os adultos
viram crianças. eles sobem em Mil nomes escondido - é nessas horas ele
fica morrendo
de dor nas costas - e começam a brincar.
É por isso que Mil Nomes é um cavalinho feliz. Não só por que ele é
amigo.
Ele é feliz porque não é só ele que tem sonhos. Naquele carrossel, todo
mundo aprende com uma criança. O mundo vai girando, e lá está Mil
nomes indo de cima pra baixo, de
baixo pra cima. Mil nomes fica triste quando se despede das crianças. Mas
faz parte do
trabalho, né? Hoje ele ficou feliz de novo.
Aquele menininho, que o chama de amigo, disse que sentiu a falta do
cavalinho. Disse que ontem, Mil nomes levou ele pra passear, pra bem longe dali.
É isso que deixa Mil nomes verdadeiramente feliz.Ele tem mil nomes.Já conheceu vários lugares. Já foi pra bem longe.
Tudo isso, só rodando e indo de cima pra baixo, de baixo pra cima. Tudo isso no mesmo lugar. E acredite. Ainda assim, ele é capaz de sentir saudades.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Viva o vazio
Um copo vazio nunca está totalmente vazio. Ele está cheio de ar. O ar que não quer sair do pulmão. Que sufoca por dentro. Que ensaia uma tentativa de liberdade. Mas na verdade, ele só vai e volta.
É como um balão de aniversário, mas sem festa.
Alguns convidados chegaram, mas encontraram o salão vazio. Podia ser pior.
Podia ser o aniversariante chegando e encontrando ninguém para sua festa.
Sem festa, sem presente.
Só o ar.
Ar rarefeito.
É esse ar que provoca um efeito tão grande na sua vida e nenhum efeito no mundo.
Não mexe nem uma folhinha de uma árvore.
É verão e as árvores continuam secas: ta aí um bom cartão postal para a desesperança.
E adivinha quem vai receber? Ninguém.
Porque nesse lugar, nessa cidade sem nome, cidade de ar preso. Cidade sem efeito. Não existe correio.
Não existe janela.
Existe uma fresta. Deveria ser o coração.
Esse, sim, poderia dar algum alívio. Podia ser leve.
Mas leve, como? Nesse ar denso?
Olha ele aí flutuando. Flutuando como se estivesse imerso em algum copo d’água.
Mas não esqueça: o copo está vazio.
Está cheio de vento. Vento frio que acaba de entrar por sua janela.
Pela fresta. Pelo coração.
Ainda bem que ele bate.
E se ele bater mais forte, você vai flutuar.
Prazer, felicidade.
É como um balão de aniversário, mas sem festa.
Alguns convidados chegaram, mas encontraram o salão vazio. Podia ser pior.
Podia ser o aniversariante chegando e encontrando ninguém para sua festa.
Sem festa, sem presente.
Só o ar.
Ar rarefeito.
É esse ar que provoca um efeito tão grande na sua vida e nenhum efeito no mundo.
Não mexe nem uma folhinha de uma árvore.
É verão e as árvores continuam secas: ta aí um bom cartão postal para a desesperança.
E adivinha quem vai receber? Ninguém.
Porque nesse lugar, nessa cidade sem nome, cidade de ar preso. Cidade sem efeito. Não existe correio.
Não existe janela.
Existe uma fresta. Deveria ser o coração.
Esse, sim, poderia dar algum alívio. Podia ser leve.
Mas leve, como? Nesse ar denso?
Olha ele aí flutuando. Flutuando como se estivesse imerso em algum copo d’água.
Mas não esqueça: o copo está vazio.
Está cheio de vento. Vento frio que acaba de entrar por sua janela.
Pela fresta. Pelo coração.
Ainda bem que ele bate.
E se ele bater mais forte, você vai flutuar.
Prazer, felicidade.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
São Paulo
São paulo é frio na alma e cócegas na barriga. É a beleza que se descobre aos poucos. Beleza por beleza é paisagem. E digamos que se São Paulo fosse um cartão postal, seriam as letras ensaiadas que você escreveria para mandar para alguém. Ensaiadas, porque imersos no computador em solitárias noites de frio, ninguém sabe mais escrever no papel.
Incrível, mas em São Paulo dá para escrever mais no papel. Em São Paulo, você descobre. Aprende, inclusive a se descobrir sozinho. Algumas vezes, não mais se reconhece. Onde foi que ficou aquela mania de reclamar dos mínimos defeitos das pessoas? Você dá valor aos poucos instantes que passa com elas. E a mania de achar que o mundo para enquanto você conserta um coração que partiu?
Não dá. A cidade vai girando. E você vai junto. Leva uma porrada e sai andando com ela. E o pior: sai andando sem saber o que vai acontecer. Tentativa-erro. As vezes até arrisca um cachecol de lã em um sol quente. E nem sempre você acerta.
O sol também pode ser frio.
E na pressa, você tem medo de esbarrar em si mesmo. Medo de lembrar do passado, das coisas que ficaram. Medo que elas voltem a assombrar você, justo quando você está sozinho. Mas calma. Para por ai.
Dá para descobrir beleza onde não tem. Dá para se esconder quando quer e até quando não quer. Dá para passar despercebido quando quer chamar atenção.
Dá para sentir amor platônico mesmo quando o fogo queima. E queima.
Dá para dividir solidão com outra pessoa. Talvez seja um dos únicos lugares do mapa para fazer isso. Os melhores.
E solidão dividida por dois pode virar amor. Amor que se inventa para preencher madrugadas sem sono.
Ninguém fala em São Paulo. Ninguem tem tempo. Você é superficial com a maioria das pessoas e mais intenso com você.
Em São Paulo, descobrem-se sentimentos. Descobre-se o outro.
Em São Paulo, o tempo também pode parar como em uma praia no meio do nada.
A graça de São Paulo é fazer praia dentro de você, quando lá fora é cinza.
Um dia você descobre: o cinza por aqui pode ser só uma cortina.
( Setembro de 2010, em São Paulo)
Incrível, mas em São Paulo dá para escrever mais no papel. Em São Paulo, você descobre. Aprende, inclusive a se descobrir sozinho. Algumas vezes, não mais se reconhece. Onde foi que ficou aquela mania de reclamar dos mínimos defeitos das pessoas? Você dá valor aos poucos instantes que passa com elas. E a mania de achar que o mundo para enquanto você conserta um coração que partiu?
Não dá. A cidade vai girando. E você vai junto. Leva uma porrada e sai andando com ela. E o pior: sai andando sem saber o que vai acontecer. Tentativa-erro. As vezes até arrisca um cachecol de lã em um sol quente. E nem sempre você acerta.
O sol também pode ser frio.
E na pressa, você tem medo de esbarrar em si mesmo. Medo de lembrar do passado, das coisas que ficaram. Medo que elas voltem a assombrar você, justo quando você está sozinho. Mas calma. Para por ai.
Dá para descobrir beleza onde não tem. Dá para se esconder quando quer e até quando não quer. Dá para passar despercebido quando quer chamar atenção.
Dá para sentir amor platônico mesmo quando o fogo queima. E queima.
Dá para dividir solidão com outra pessoa. Talvez seja um dos únicos lugares do mapa para fazer isso. Os melhores.
E solidão dividida por dois pode virar amor. Amor que se inventa para preencher madrugadas sem sono.
Ninguém fala em São Paulo. Ninguem tem tempo. Você é superficial com a maioria das pessoas e mais intenso com você.
Em São Paulo, descobrem-se sentimentos. Descobre-se o outro.
Em São Paulo, o tempo também pode parar como em uma praia no meio do nada.
A graça de São Paulo é fazer praia dentro de você, quando lá fora é cinza.
Um dia você descobre: o cinza por aqui pode ser só uma cortina.
( Setembro de 2010, em São Paulo)
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Desesperança.
ou
Registro de uma manhã fria.
São 11:00h. E o mundo ainda não amanheceu.
Como assim? Ninguém explicaria isso.
Mas ainda é noite. E o que é pior: noite de Domingo.
Essas frentes frias sempre trazem surpresas. Frio na alma e coração nublado são as mais visíveis dela.
Há esperança pro futuro? Talvez.
O perigo é só o coração se acostumar com a fofura das nuvens. Não é exagero.
Mas tem tristeza que tem preguiça de virar alegria.
Sabe aquele dia que amanhece friozinho, e por isso, te dá o direito de tomar um balde de chocolate quente?
É esse o atrativo da tristeza. Ela chega e não vem sozinha. Traz cobertor, carinho, escuro, e um monte de jujuba colorida que tenta te persuadir a não sair do seu cantinho.
O nome desse cantinho é bolha. De vez em quando, vem algum incoveniente querendo estourar a bolha, brincando logo de quê? Bolhinha de sabão.
Ainda bem que essa super bolha tem 5 camadas de proteção e nenhuma delas se chama sorriso.
E a desesperança continua insistindo que hoje não amanhece de jeito nenhum.
Não é hoje que vou ver um céu azul. Não é hoje que o coração vai ficar leve.
E pra quê coração leve? Vai voar?
Até poderia. Mas só se fosse pra um lugar longe. O que acha de um lugar onde já amanheceu?
Tem até passarinho cantando e um coracão com poucas nuvens.
Talvez. Mas acho que hoje eu levaria chuva pra esse lugar.
E lá vem a tristeza de novo. Dessa vez ela trouxe um guarda-chuva. Colorido que nem jujuba.
Cheio de desesperança.
Registro de uma manhã fria.
São 11:00h. E o mundo ainda não amanheceu.
Como assim? Ninguém explicaria isso.
Mas ainda é noite. E o que é pior: noite de Domingo.
Essas frentes frias sempre trazem surpresas. Frio na alma e coração nublado são as mais visíveis dela.
Há esperança pro futuro? Talvez.
O perigo é só o coração se acostumar com a fofura das nuvens. Não é exagero.
Mas tem tristeza que tem preguiça de virar alegria.
Sabe aquele dia que amanhece friozinho, e por isso, te dá o direito de tomar um balde de chocolate quente?
É esse o atrativo da tristeza. Ela chega e não vem sozinha. Traz cobertor, carinho, escuro, e um monte de jujuba colorida que tenta te persuadir a não sair do seu cantinho.
O nome desse cantinho é bolha. De vez em quando, vem algum incoveniente querendo estourar a bolha, brincando logo de quê? Bolhinha de sabão.
Ainda bem que essa super bolha tem 5 camadas de proteção e nenhuma delas se chama sorriso.
E a desesperança continua insistindo que hoje não amanhece de jeito nenhum.
Não é hoje que vou ver um céu azul. Não é hoje que o coração vai ficar leve.
E pra quê coração leve? Vai voar?
Até poderia. Mas só se fosse pra um lugar longe. O que acha de um lugar onde já amanheceu?
Tem até passarinho cantando e um coracão com poucas nuvens.
Talvez. Mas acho que hoje eu levaria chuva pra esse lugar.
E lá vem a tristeza de novo. Dessa vez ela trouxe um guarda-chuva. Colorido que nem jujuba.
Cheio de desesperança.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Talvez
Pode ser sim. Pode ser não.
Pode ser noite. Pode ser dia.
Pode ser abraço.
Pode ser saudade.
Talvez seja você.
Pode ser noite. Pode ser dia.
Pode ser abraço.
Pode ser saudade.
Talvez seja você.
Nunca
O teu nunca sempre foi um motivo a mais
Uma risada a mais.
Um pouco de esperança.
O teu nunca sempre foi um pouco do meu nada.
Um martírio. Uma dança.
O teu nunca sempre foi um espere um pouco mais.
Foi meia hora de silêncio, quando eu só queria um minuto.
Sempre foi um sorriso de ternura quando podia chover.
O teu nunca sempre foi fim de tarde.
Calçada vazia e céu vermelho.
E para fazer um contraste não tão belo.
Foi meu sorriso amarelo.
O teu nunca sempre foi a hora devagar.
Sem pressa.
O instante em que meu sorriso se perdeu no teu coracão.
O teu nunca sempre foi meu elo.
O teu nunca também é sempre.
É sempre um carinho desengonçado.
Uma cosquinha que se faz no céu.
Uma nuvem branca, um papel amarelado.
O teu nunca é meu.
Pra sempre.
Uma risada a mais.
Um pouco de esperança.
O teu nunca sempre foi um pouco do meu nada.
Um martírio. Uma dança.
O teu nunca sempre foi um espere um pouco mais.
Foi meia hora de silêncio, quando eu só queria um minuto.
Sempre foi um sorriso de ternura quando podia chover.
O teu nunca sempre foi fim de tarde.
Calçada vazia e céu vermelho.
E para fazer um contraste não tão belo.
Foi meu sorriso amarelo.
O teu nunca sempre foi a hora devagar.
Sem pressa.
O instante em que meu sorriso se perdeu no teu coracão.
O teu nunca sempre foi meu elo.
O teu nunca também é sempre.
É sempre um carinho desengonçado.
Uma cosquinha que se faz no céu.
Uma nuvem branca, um papel amarelado.
O teu nunca é meu.
Pra sempre.
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