Hoje é o dia em que eu nasci. E que significado tem pensar exatamente no dia em que nasci. Imagino todos os preparativos da minha mãe. Meu pai ( super pai) correndo. Minhas irmãs com olhares desconfiados. Diz minha mãe que toda vez que uma irmã nascia, a "velha" ganhava um presente do neném. Imagino que todos choraram com mais um milagre. Ter filho é um milagre tão grande, que só Deus conseguiria explicar. E às vezes, em linhas tortas. Às vezes sem planejamento, como foi o meu caso. Não o dia em que eu nasci, mas o dia em que nasci como mãe, assim como a minha.
Porque não tem como passar meu aniversário hoje sem pensar no sentido de tudo isso. O nascimento de Tiago já é uma lembrança. Aquele olhinho já me procurando. Brilhando diante de tantas lágrimas. Aquele olhinho procurando o peito, e encontrando meu coração batendo mais forte.
Forte como eu. Não tem como virar mãe sem ser forte. Principalmente, depois de tudo o que passamos. E passou.
E hoje, 27 anos depois de imaginar como minha mãe se sentiu, eu não me importo com comemoracão. Não reservei uma mesa e fiquei preocupada com a quantidade de convidados. Por mais amigos que você tenha, sempre bate aquela aflição/vergonha: e se a mesa ficar vazia? Porque isso tudo pareceu, de repente, vazio. Não pensei se escolhi o "bar" certo.
Hoje não penso se vou pedir um vestido ou um sapato de aniversário para meu pai. Sim, ele sempre gosta de presentear. Não acordei de meio-dia e não pedi meu bolo preferido de doce de leite, a contragosto da minha mãe: as pessoas preferem chocolate. (já comi cheesecake ontem, rá)
Não acordei com a ligação do meu pai me fazendo chorar. Nem ouvi minha mãe dizer, que há 27 anos eu era o bebê mais lindo e maior da maternidade. História que tanto me cansei de ouvir.
Hoje acordei e pensei: o meu bebê era o mais lindo da maternidade e não existe presente melhor. E como todo presente, esse é sim, um lindo pacotinho. Mas não vem embalado em fitas. Como os melhores presentes, ele vem carregado de significado especial. Ele trouxe o sentido de família que talvez há alguns anos eu tivesse esquecido em alguma gaveta ou "abandonado" em algum porta-retrato. Hoje, está vivo em mim. Não existe nada melhor e mais inteiro do que resgatar todo o sentido de família. Proximidade. Calor. União. É um porto-seguro, verdade.
E pra mim, esse porto bem perto do mar.
Por isso, hoje eu acordei bem cedo. Fiquei sozinha com meu filho, olhei nos olhos dele e disse: não existe presente melhor. E a cada aniversário, pretendo repetir a lembrança do olhinho dele me procurando. Achou, meu amor. Achou o meu melhor.
Hoje, o significado do meu dia é tudo de bom que tiago resgatou. O sentido do amor.
Estava cansada de caixas de presentes vazias. Nunca me senti tão cheia. Cheia de amor. Completa.
Hoje talvez seja o dia em que eu nasci. Nasci como mãe, completa e cheia de amor.
:)
segunda-feira, 16 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Um mais um.
Um mais Um
Era uma vez uma menina que muito entendia, mas pouco sabia. Aliás, das poucas coisas que ela sabia, ela descobria um pouco dela. Ela era uma menina-meia. Ou uma meia-menina. Cada vez mais que se descobria, ela inventava um novo sentimento. Um dia, simplesmente, ela descobriu o vazio, então de lá pra cá, ela começou a ficar mais leve, andar seguindo o vento. E andar seguindo o vento para ela, de repente virou uma vida ao acaso.
Um dia essa menina já quis ganhar flores, já quis ser amada, já quis viver em um filme de amor. Embora, muitas vezes, ela deseje apenas os curtos instantes de adrenalina-consciência de um filme de terror. Então, ela descobriu que não se vive apenas de anjos. Por mais vazia, mais incompleta que ela seja não significa que ela chegará até as nuvens.
Essa menina descartou a idéia de ganhar flores. Por que ganhar flores, se ela pode ganhar uma nave espacial? Mas pra quê uma nave espacial, se ela pode flutuar com seu próprio peso de ser vazia? Não se sabe. Ela só descobriu que podia tentar ganhar o mundo. Então, começou uma história em busca da descoberta de todos os sentimentos verdadeiros, e por que não, a busca dos sentimentos contrários.
De tanto desejar ganhar o mundo, essa menina perdeu milhões de concursos por aí, pelo meio do caminho, treinando possibilidades. Primeiro, ela tentou ganhar uma bicicleta. Mas teve certeza de que o concurso havia sido forjado. Depois, ela quis ganhar uma cozinha completa para sua mãe. Mas no mês anterior, nem a geladeira ela ganhara. Então, essa menina partiu para chocolates, canetas, e até cartas. Mas cansou de tentar ganhar o mundo dessa maneira. Foi assim, que ela começou a colecionar estrelas. A cada dia, o céu dava uma estrela. Em alguns dias, dependendo do humor dessa menina, ela ganhava três. Mas três são uma. Por que essas três, de tão completas, perderam-se em uma só, como uma cruz. Sem pai, sem filho e sem espírito.
A partir desse dia, essa menina traçou uma linha imaginária pelo mundo. Quer dizer, ela não traçou sozinha, apenas teve a idéia, quando ganhou de presente de aniversário, uma estrela cadente. Simplesmente ela dividiu o mundo em duas partes: Quem é um e Quem são dois. Começou a se descobrir um pouco mais a cada dia, até descobrir que ficar sozinha não é tão ruim.
Ela descobriu que tudo que precisa sentir para viver é muito mais físico e racional do que parece. Seus olhos já são dois. São completos e podem criar vida própria. Então, ela descobriu que se um dia chegasse a amar tanto alguém que porventura sentisse ciúmes, olhar para outro não seria nada demais. Afinal, seus olhos são completos.
Já o seu olfato, é outra história. É muito mais uma sensação única que ela estava simplesmente procurando, e não achava como antes fizera seus olhos. Seu pequeno nariz era um só. Por isso, que outrora, ela tanto quis ganhar flores. Ela ainda era muito inocente, e achava que a alma para ser tocada, precisa de mais um. Precisa sentir. A partir desse dia, essa menina começou a colecionar perfumes. Aroma de carinho, aroma de açúcar queimado, aroma até de fim de feira, ou de espirro de filhote de cachorro.
Mas o mundo dividido já estava ficando complicado, cheio de possibilidades. Se olhar não significava nada porque seus olhos já eram completos, o que ela poderia dizer das mãos?
Essa menina já estava começando a desacreditar da estrela cadente, quando sentiu que sua mão na verdade era Quem é um. Direita e esquerda, cada uma com possibilidades diferentes. Desde pequena, essa menina pulava amarelinha com a perna direita, mas só sabia escrever com a esquerda. E muitas vezes, enquanto a mão direita a conduzia para um caminho novo, cheio de tentações e novas possibilidades, a mão esquerda queria continuar andando reta. O pior era a mania das mãos de tentar ser uma só. A mão fechada, impossibilitada de segurar o mundo, aquele grande mundo que essa menina tanto quis ganhar.
Os seus pés também, às vezes imitavam as mãos. Pegadas indistintas. Caminhos ocultos. A menina não acreditava que ambos os lados, a conduziriam a um único caminho. Ela acredita nas diferenças. Sentava na areia e ficava descobrindo cada detalhe de cada pegada. Mas foi em num dia desses, pensando seguir a pegada direita, das linhas retas e firmes, que ela começou a se desviar, e sem querer, entrou em um mundo novo, ainda para ser explorado.
A menina descobriu o amor. Então ela descobriu que a todo custo, mesmo com cada unidade solitária, em cada parte do mundo de Quem é um, as diferenças sempre levam para o mundo de Quem é dois.
O caminho estava errado, a matemática não funcionou, ela não conheceu tampouco a causa. Mas ela descobriu que não há explicação para o que não se explica. Quem é um não pode ser sempre um, por que o mundo é muito grande para apenas duas mãos que nunca entram em acordo.
Quando essa menina descobriu que Quem é um, somado com Quem é um, pode dar dois e ao mesmo tempo um, ela descobriu que pode ganhar o que quiser. Sem concursos. Pode ganhar Flores, chocolates, verdades e até desilusões. Pode ser completa e ao mesmo tempo vazia, porque virou uma.
Ela descobriu que pelo caminho errado, ela pode ganhar o mundo.
Era uma vez uma menina que muito entendia, mas pouco sabia. Aliás, das poucas coisas que ela sabia, ela descobria um pouco dela. Ela era uma menina-meia. Ou uma meia-menina. Cada vez mais que se descobria, ela inventava um novo sentimento. Um dia, simplesmente, ela descobriu o vazio, então de lá pra cá, ela começou a ficar mais leve, andar seguindo o vento. E andar seguindo o vento para ela, de repente virou uma vida ao acaso.
Um dia essa menina já quis ganhar flores, já quis ser amada, já quis viver em um filme de amor. Embora, muitas vezes, ela deseje apenas os curtos instantes de adrenalina-consciência de um filme de terror. Então, ela descobriu que não se vive apenas de anjos. Por mais vazia, mais incompleta que ela seja não significa que ela chegará até as nuvens.
Essa menina descartou a idéia de ganhar flores. Por que ganhar flores, se ela pode ganhar uma nave espacial? Mas pra quê uma nave espacial, se ela pode flutuar com seu próprio peso de ser vazia? Não se sabe. Ela só descobriu que podia tentar ganhar o mundo. Então, começou uma história em busca da descoberta de todos os sentimentos verdadeiros, e por que não, a busca dos sentimentos contrários.
De tanto desejar ganhar o mundo, essa menina perdeu milhões de concursos por aí, pelo meio do caminho, treinando possibilidades. Primeiro, ela tentou ganhar uma bicicleta. Mas teve certeza de que o concurso havia sido forjado. Depois, ela quis ganhar uma cozinha completa para sua mãe. Mas no mês anterior, nem a geladeira ela ganhara. Então, essa menina partiu para chocolates, canetas, e até cartas. Mas cansou de tentar ganhar o mundo dessa maneira. Foi assim, que ela começou a colecionar estrelas. A cada dia, o céu dava uma estrela. Em alguns dias, dependendo do humor dessa menina, ela ganhava três. Mas três são uma. Por que essas três, de tão completas, perderam-se em uma só, como uma cruz. Sem pai, sem filho e sem espírito.
A partir desse dia, essa menina traçou uma linha imaginária pelo mundo. Quer dizer, ela não traçou sozinha, apenas teve a idéia, quando ganhou de presente de aniversário, uma estrela cadente. Simplesmente ela dividiu o mundo em duas partes: Quem é um e Quem são dois. Começou a se descobrir um pouco mais a cada dia, até descobrir que ficar sozinha não é tão ruim.
Ela descobriu que tudo que precisa sentir para viver é muito mais físico e racional do que parece. Seus olhos já são dois. São completos e podem criar vida própria. Então, ela descobriu que se um dia chegasse a amar tanto alguém que porventura sentisse ciúmes, olhar para outro não seria nada demais. Afinal, seus olhos são completos.
Já o seu olfato, é outra história. É muito mais uma sensação única que ela estava simplesmente procurando, e não achava como antes fizera seus olhos. Seu pequeno nariz era um só. Por isso, que outrora, ela tanto quis ganhar flores. Ela ainda era muito inocente, e achava que a alma para ser tocada, precisa de mais um. Precisa sentir. A partir desse dia, essa menina começou a colecionar perfumes. Aroma de carinho, aroma de açúcar queimado, aroma até de fim de feira, ou de espirro de filhote de cachorro.
Mas o mundo dividido já estava ficando complicado, cheio de possibilidades. Se olhar não significava nada porque seus olhos já eram completos, o que ela poderia dizer das mãos?
Essa menina já estava começando a desacreditar da estrela cadente, quando sentiu que sua mão na verdade era Quem é um. Direita e esquerda, cada uma com possibilidades diferentes. Desde pequena, essa menina pulava amarelinha com a perna direita, mas só sabia escrever com a esquerda. E muitas vezes, enquanto a mão direita a conduzia para um caminho novo, cheio de tentações e novas possibilidades, a mão esquerda queria continuar andando reta. O pior era a mania das mãos de tentar ser uma só. A mão fechada, impossibilitada de segurar o mundo, aquele grande mundo que essa menina tanto quis ganhar.
Os seus pés também, às vezes imitavam as mãos. Pegadas indistintas. Caminhos ocultos. A menina não acreditava que ambos os lados, a conduziriam a um único caminho. Ela acredita nas diferenças. Sentava na areia e ficava descobrindo cada detalhe de cada pegada. Mas foi em num dia desses, pensando seguir a pegada direita, das linhas retas e firmes, que ela começou a se desviar, e sem querer, entrou em um mundo novo, ainda para ser explorado.
A menina descobriu o amor. Então ela descobriu que a todo custo, mesmo com cada unidade solitária, em cada parte do mundo de Quem é um, as diferenças sempre levam para o mundo de Quem é dois.
O caminho estava errado, a matemática não funcionou, ela não conheceu tampouco a causa. Mas ela descobriu que não há explicação para o que não se explica. Quem é um não pode ser sempre um, por que o mundo é muito grande para apenas duas mãos que nunca entram em acordo.
Quando essa menina descobriu que Quem é um, somado com Quem é um, pode dar dois e ao mesmo tempo um, ela descobriu que pode ganhar o que quiser. Sem concursos. Pode ganhar Flores, chocolates, verdades e até desilusões. Pode ser completa e ao mesmo tempo vazia, porque virou uma.
Ela descobriu que pelo caminho errado, ela pode ganhar o mundo.
segunda-feira, 19 de março de 2012
Quase 9 meses
Noves meses passam rápido.
Talvez porque tudo passa. E somente por isso.
E depois que tudo passa, vira uma vírgula. Medos deixam de ser interrogações para servirem de exclamação: sinônimo de desafio.
Porque foram assim por 9 meses. Mas não sei dizer, se pra mim, passaram rápido, ou se ainda estão passando como um filme em câmera lenta.
Seria mais fácil dizer que passou rápido: verdade. Resposta rápida para quem vê de fora. De lá pra cá, o que era apenas um coração de bebê, transformou o meu coração em uma melancia do tamanho da minha barriga. Mas quando lembro de tudo o que passamos. Ai que tempo lento. Como se arrastou. Por isso, só respondo dizendo: passou.
Passou sem ter ninguém para soprar cada feridinha dizendo que vai ficar tudo bem. A gente sabe que virou adulto quando nós mesmos, em meio ao sofrimento, dizemos: "vai ficar tudo bem, marcela".
É essa mesma voz que nos faz escolher enfrentar cada dia e levantar a cada queda, enquanto teria sido muito mais confortável ficar na cama.
Muitas vezes escolhi: vou passar o resto dos 9 meses nessa cama, no escuro.
Ainda bem que mudei de idéia. Eu não teria conhecido pessoas maravilhosas, sempre dispostas a ajudar e te dar carinho e amor, de graça.
Eu não teria acordado feliz só por ver o sol, me sentindo a grávida mais bonita do mundo. A barriga me deu meses de beleza. Deu um estado de graça semelhante ao que Deus faz por nós: favor imerecido dos céus.
Eu provavelmente não teria comido morango com doce de leite com muito mais desejo. Do que adianta o amor se a gente não o abraça com todo o nosso coração? Bom dia sem beijo é café sem açúcar: tem quem goste.
Eu não teria sentido tanta raiva. Verdade. Mas também não teria aprendido a conviver com ela para assim, viver sem ela.
Eu não teria pensado no sentido do perdão por tantas vezes. Mesmo que tenha desistido dele por outras tantas.
Não teria pensado no amor como estado maior, necessário e vital, e a paixão como algo tão pequeno e passageiro. Tão passageiro como esse tempo que agora está indo embora. Intenso para tornar lento. Porém sempre rápido quando se acaba.
Eu também não teria encontrado força de onde não tinha mais. Força quando todo mundo tinha ido embora. Não teria aprendido a tomar decisões. E muito menos entendido que por mais que a ansiedade te faça pedir mil conselhos, não existe solidão maior do que tomar uma decisão.
Não tem como culpar ninguém por nossos erros. Mas o que podemos fazer é recomeçar sempre que reconhecemos um. O que já é um bom começo, afinal, conheço gente que passou dos 60 e ainda não reconhece erros.
Bom, talvez eu não tivesse me deparado tantas vezes com o pior de mim. Mas o que é a vida sem essa oportunidade de amadurecer? Como posso construir quem sou, sem sozinho por completo, se não me conhecer, a ponto de reconhecer o meu pior?
Eu também não teria aprendido a ser completamente independente. E mais uma vez, aqui, coloco uma exclamação: desafio. Não existe maturidade se dependermos de alguém. É um confronto que dói, mas nos torna maiores do que achamos que podemos ser.
Eu não teria sentido tanto medo. Não teria confundido o medo do escuro com o medo da responsabilidade de ser mãe. Não teria me reconhecido tão egoísta por ter medo de abdicar da minha própria solidão, do "faço o que quero", para agora, cuidar de um ser tão pequeno e dependente de mim.
Cheguei até pensar muitas vezes que sentia saudade de quem eu era. De inventar paixões para ter um sentido de vida. De acordar com o coração acelerado por bobagem. Ou saber que amanhã aquilo iria viria uma desilusão, pequena, mas que em vez de me acrescentar alma, ia me tornar ainda mais vazia.
Porque também aprendi a não sentir mais vazia. Medo, normal: o que seria a coragem sem medo? Mas sentido mesmo de vida é aprender a crescer com as dores. Aprender a amar com as dores.
É passar uma noite chorando com medo do futuro e quando colocar os pés nesse mesmo futuro pensar: "foi mais fácil do que eu imaginava".
Não foi mais fácil do que eu imaginava. Foi infinitamente mais duro e doloroso do que eu pensava que poderia agüentar. A diferença é que agüentei de forma mais fácil, mais sutil. Que me tornei muito maior que isso.
E sim, acabou sendo mais fácil. E por isso, o tempo acabou passando um pouco rápido, relativamente.
Ontem era uma sementinha que precisava ser regada. Talvez com lágrimas. Hoje, uma árvore que ninguém é capaz de derrubar. Por mais brega que isso pareça, é para ser brega mesmo.
Porque seria impossível escrever uma carta de 9 meses de gravidez sem ser brega. Gravidez é amor. É amor que vai-se gerando aos poucos. E o amor pra mim é brega.
Ele vai crescendo, ganhando vida. Notou que é a gestação pode ser a metáfora mais bonita para o amor?
Ou você ainda acha que se ama como um insight e só se tem segurança no amor naquilo que se conhece profundamente? ou mesmo que para amar, afinidades se bastam?
não!
Se eu tivesse escolhido não me levantar da cama e ver o sol para a amar a lua, não teria entendido que a gravidez é a principal metáfora para o amor.
Começa aos poucos. Assusta. Não sabemos quem somos mais. Vai crescendo. Intenso. Muito intenso. Dói. Magoa. Mas vamos aprendendo a admistrar essa overdorse de sentimentos malucos, contraditórios. E como aprendemos. Vamos crescendo por dentro e por fora.
Vamos aprendendo a apreciar. Enxergamos o lado bom e ficamos mais leve apesar do "peso" e responsabilidade que tudo isso implica. As vezes queremos chorar. Mas na maioria queremos sorrir com gigantes panelas de brigadeiros.
Tudo ganha mais sentido, mais vida e mais cor. E mesmo que a vida seja difícil, é impossível desistir: há um sentido maior. Passamos da fase da paixão. Crescemos muito mais que isso.
E depois? vida. o milagre da vida.
=)
Foram 9 meses difíceis. Mas hoje posso dizer que minha vida não poderia ter mais sentido sem tudo o que aprendi. O amor cresceu com a minha própria força. Já não preciso inventar paixões e sentidos de vida.
Com isso termino essa carta, dizendo:
Pode vir, meu filho, meu Tiago, meu pequeno grande amor. Mamãe está preparada para receber você.
No dia 30 de julho de 2011, eu nunca imaginaria que um dia escreveria isso. É por isso que dizem: devemos viver um dia de cada vez.
E amar em todos eles.
Marcela, 38 semanas de Tiaguinho. A sementinha que virou amor.
Talvez porque tudo passa. E somente por isso.
E depois que tudo passa, vira uma vírgula. Medos deixam de ser interrogações para servirem de exclamação: sinônimo de desafio.
Porque foram assim por 9 meses. Mas não sei dizer, se pra mim, passaram rápido, ou se ainda estão passando como um filme em câmera lenta.
Seria mais fácil dizer que passou rápido: verdade. Resposta rápida para quem vê de fora. De lá pra cá, o que era apenas um coração de bebê, transformou o meu coração em uma melancia do tamanho da minha barriga. Mas quando lembro de tudo o que passamos. Ai que tempo lento. Como se arrastou. Por isso, só respondo dizendo: passou.
Passou sem ter ninguém para soprar cada feridinha dizendo que vai ficar tudo bem. A gente sabe que virou adulto quando nós mesmos, em meio ao sofrimento, dizemos: "vai ficar tudo bem, marcela".
É essa mesma voz que nos faz escolher enfrentar cada dia e levantar a cada queda, enquanto teria sido muito mais confortável ficar na cama.
Muitas vezes escolhi: vou passar o resto dos 9 meses nessa cama, no escuro.
Ainda bem que mudei de idéia. Eu não teria conhecido pessoas maravilhosas, sempre dispostas a ajudar e te dar carinho e amor, de graça.
Eu não teria acordado feliz só por ver o sol, me sentindo a grávida mais bonita do mundo. A barriga me deu meses de beleza. Deu um estado de graça semelhante ao que Deus faz por nós: favor imerecido dos céus.
Eu provavelmente não teria comido morango com doce de leite com muito mais desejo. Do que adianta o amor se a gente não o abraça com todo o nosso coração? Bom dia sem beijo é café sem açúcar: tem quem goste.
Eu não teria sentido tanta raiva. Verdade. Mas também não teria aprendido a conviver com ela para assim, viver sem ela.
Eu não teria pensado no sentido do perdão por tantas vezes. Mesmo que tenha desistido dele por outras tantas.
Não teria pensado no amor como estado maior, necessário e vital, e a paixão como algo tão pequeno e passageiro. Tão passageiro como esse tempo que agora está indo embora. Intenso para tornar lento. Porém sempre rápido quando se acaba.
Eu também não teria encontrado força de onde não tinha mais. Força quando todo mundo tinha ido embora. Não teria aprendido a tomar decisões. E muito menos entendido que por mais que a ansiedade te faça pedir mil conselhos, não existe solidão maior do que tomar uma decisão.
Não tem como culpar ninguém por nossos erros. Mas o que podemos fazer é recomeçar sempre que reconhecemos um. O que já é um bom começo, afinal, conheço gente que passou dos 60 e ainda não reconhece erros.
Bom, talvez eu não tivesse me deparado tantas vezes com o pior de mim. Mas o que é a vida sem essa oportunidade de amadurecer? Como posso construir quem sou, sem sozinho por completo, se não me conhecer, a ponto de reconhecer o meu pior?
Eu também não teria aprendido a ser completamente independente. E mais uma vez, aqui, coloco uma exclamação: desafio. Não existe maturidade se dependermos de alguém. É um confronto que dói, mas nos torna maiores do que achamos que podemos ser.
Eu não teria sentido tanto medo. Não teria confundido o medo do escuro com o medo da responsabilidade de ser mãe. Não teria me reconhecido tão egoísta por ter medo de abdicar da minha própria solidão, do "faço o que quero", para agora, cuidar de um ser tão pequeno e dependente de mim.
Cheguei até pensar muitas vezes que sentia saudade de quem eu era. De inventar paixões para ter um sentido de vida. De acordar com o coração acelerado por bobagem. Ou saber que amanhã aquilo iria viria uma desilusão, pequena, mas que em vez de me acrescentar alma, ia me tornar ainda mais vazia.
Porque também aprendi a não sentir mais vazia. Medo, normal: o que seria a coragem sem medo? Mas sentido mesmo de vida é aprender a crescer com as dores. Aprender a amar com as dores.
É passar uma noite chorando com medo do futuro e quando colocar os pés nesse mesmo futuro pensar: "foi mais fácil do que eu imaginava".
Não foi mais fácil do que eu imaginava. Foi infinitamente mais duro e doloroso do que eu pensava que poderia agüentar. A diferença é que agüentei de forma mais fácil, mais sutil. Que me tornei muito maior que isso.
E sim, acabou sendo mais fácil. E por isso, o tempo acabou passando um pouco rápido, relativamente.
Ontem era uma sementinha que precisava ser regada. Talvez com lágrimas. Hoje, uma árvore que ninguém é capaz de derrubar. Por mais brega que isso pareça, é para ser brega mesmo.
Porque seria impossível escrever uma carta de 9 meses de gravidez sem ser brega. Gravidez é amor. É amor que vai-se gerando aos poucos. E o amor pra mim é brega.
Ele vai crescendo, ganhando vida. Notou que é a gestação pode ser a metáfora mais bonita para o amor?
Ou você ainda acha que se ama como um insight e só se tem segurança no amor naquilo que se conhece profundamente? ou mesmo que para amar, afinidades se bastam?
não!
Se eu tivesse escolhido não me levantar da cama e ver o sol para a amar a lua, não teria entendido que a gravidez é a principal metáfora para o amor.
Começa aos poucos. Assusta. Não sabemos quem somos mais. Vai crescendo. Intenso. Muito intenso. Dói. Magoa. Mas vamos aprendendo a admistrar essa overdorse de sentimentos malucos, contraditórios. E como aprendemos. Vamos crescendo por dentro e por fora.
Vamos aprendendo a apreciar. Enxergamos o lado bom e ficamos mais leve apesar do "peso" e responsabilidade que tudo isso implica. As vezes queremos chorar. Mas na maioria queremos sorrir com gigantes panelas de brigadeiros.
Tudo ganha mais sentido, mais vida e mais cor. E mesmo que a vida seja difícil, é impossível desistir: há um sentido maior. Passamos da fase da paixão. Crescemos muito mais que isso.
E depois? vida. o milagre da vida.
=)
Foram 9 meses difíceis. Mas hoje posso dizer que minha vida não poderia ter mais sentido sem tudo o que aprendi. O amor cresceu com a minha própria força. Já não preciso inventar paixões e sentidos de vida.
Com isso termino essa carta, dizendo:
Pode vir, meu filho, meu Tiago, meu pequeno grande amor. Mamãe está preparada para receber você.
No dia 30 de julho de 2011, eu nunca imaginaria que um dia escreveria isso. É por isso que dizem: devemos viver um dia de cada vez.
E amar em todos eles.
Marcela, 38 semanas de Tiaguinho. A sementinha que virou amor.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Das verdades de " Mania de Explicação"
Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
quinta-feira, 1 de março de 2012
maternidade
Essa alegria que você sente explodindo com a proximidade, mesmo que tenha motivos para chorar.
Essa paz que invade o coração e deixa o mar tão calmo.
Essa força que se transforma em amor.
Essa luz que já posso ver e posso sentir.
"não estou cabendo em mim".
<3
Essa paz que invade o coração e deixa o mar tão calmo.
Essa força que se transforma em amor.
Essa luz que já posso ver e posso sentir.
"não estou cabendo em mim".
<3
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
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