Maximiliano Alves Motta tinha 39 anos e poucos ideais.
Apegou-se à rotina. Na sua idade, sem filhos e com um emprego medíocre, era a única coisa que podia gerar algum tipo de afeição à vida.
Sentia prazer em acordar cedo, olhar as plantas e mais ainda em ler o seu jornal tomando o café sem açúcar.
Tinha uma teoria. Homem que é homem toma café puro. Esse sim merece respeito.
E falando em respeito, o bigode estava lá confirmando toda a sua autarquia.
Mas foi numa dessas manhãs rotineiras, que abriu o jornal e deparou-se com a fatídica notícia: seu próprio obituário. Deu tontura, agonia e até asma.
Não era possível. Mas era exatamente a sua foto: camisa florida e alegria estampada, enquanto curtia um antigo carnaval de Salvador. Uma época em que até amor chegou a sentir por Sandrinha: aquela baiana arretada, alegre e de grandes peitos.
Chegou a pensar que devia estar morto. Tinha acordado no além, só pode. Mas como não viu nem sinal do capeta, nem muito menos de Deus, logo percebeu que não tinha morrido.
Fato era que bebeu tanto que dormiu pensando: qualquer dia eu bebo até morrer. Meu jesus, me abençoa, prometo que foi a última vez.
Mas não foi pra tanto.
Talvez fosse alguma peça do destino. O jornal ta tão moderno que tava adivinhando até seu futuro.
E dessa vez, era possível.
Virou a página no jornal e tinha lá:
25 de Março de 2018.
Faltavam dois meses para sua morte.
E agora? O que ia fazer para aproveitar o tempo que restava?
Quantos cafés de macho ainda despertariam Maximiliano em todas as manhãs?
Na situação de solidão dele, provavelmente, só a rotina iria a seu enterro.
O que por ele, já era alegria demais.
Vestiria a rotina com um vestido rendado branco e dormiria com ela no cemitério mais bonito da cidade. Cemitério onde o coveiro ia gostar de passar todo dia às 6h da manhã, limpar as flores e ler o jornal. Necessariamente nesta ordem.
Mas não era bem assim. Em seu obituário dizia:
"Maximiliano Alves. 39 anos. Homem de bem. Homem que descobriu o amor no fim da sua vida. Homem que lutou até o fim. Corajoso, único."
De sua eterna amada, Sandrinha.
Por um instante, Maximiliano suou. Como possível? Sandrinha, aqueles belos peitos. Aquele sorriso contagiante que ele deixara em pleno carnaval, com olhos de saudade…
Era ela, o seu amor.
Era ela que o faria trocar a rotina. Era ela!!
Por um instante, amou. Sentiu calafrio, sentiu a alma sorrindo.
Até que a campainha tocou.
“é hoje”.
Abriu a porta e levou um tiro. No coração. Logo o coração que acabara de ser flechado.
Já era. Morreu na hora.
Dizia a lenda da cidade: homem que ama só uma vez na vida, morre num tiro só.
Sandrinha correu.
E esquecido e abandonado como era o Maximiliano, azar.
Só descobriram sua morte 2 meses depois.
O obituário saiu atrasado.
E Sandrinha, como a viúva romântica do obituário que fez a população inteira chorar, saiu por inocente.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Luneta
Tinha um brilho diferente nos olhos de Carola.
Ela chegou a supor que poderia ser a lua.
A lua tem dessas coisas. Vez por outra, tem mais estrelas a seu redor do que o normal.
E isso não poderia ser à toa.
Porque foi exatamente nessa época que olhar de Carola tinha mais estrelas ao redor.
Coisa de menina romântica que ainda faz da lua, um filme na noite de sábado. Olhar a lua faz bem à alma, já dizia a menina.
E amar faz bem aos olhos. Como assim?
Começou a dizer que o amor é cego desde que foi ofuscada por um brilho intenso. E esse brilho, nem as estrelas podia roubar.
Nem as estrelas podiam roubar o tal menino de Carola.
O céu, talvez, tenha alguma permissão.
Mas só porque era lá que ela vivia desde que foi ofuscada. O amor não é cego. O amor cega.
E sem ver ela poderia sentir. ( talvez nesse momento, a lua tenha se escondido por trás das nuvens)
Muito mais. E de verdade.
Ela chegou a supor que poderia ser a lua.
A lua tem dessas coisas. Vez por outra, tem mais estrelas a seu redor do que o normal.
E isso não poderia ser à toa.
Porque foi exatamente nessa época que olhar de Carola tinha mais estrelas ao redor.
Coisa de menina romântica que ainda faz da lua, um filme na noite de sábado. Olhar a lua faz bem à alma, já dizia a menina.
E amar faz bem aos olhos. Como assim?
Começou a dizer que o amor é cego desde que foi ofuscada por um brilho intenso. E esse brilho, nem as estrelas podia roubar.
Nem as estrelas podiam roubar o tal menino de Carola.
O céu, talvez, tenha alguma permissão.
Mas só porque era lá que ela vivia desde que foi ofuscada. O amor não é cego. O amor cega.
E sem ver ela poderia sentir. ( talvez nesse momento, a lua tenha se escondido por trás das nuvens)
Muito mais. E de verdade.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Um conto sobre o desamor
Clarice Maria Reis era romântica.
Bem romântica.
E como todo menina que acordava vendo o passarinho azul mesmo quando dorme pouco , ela sonhava com o momento máximo que descobriria o amor:
Sua primeira vez.
Ainda na flor da sua idade de menina-flor, acreditava ser esse o momento mais romântico do mundo.
Mais ainda do que o casamento.
Nem precisava esperar por ele para descobrir o amor.
Clarice casaria de rosa sem problemas e sem falatório de cidade pequena.
Rosa era sua cor preferida e ponto final.
Então, estava chegando o momento.
Não a hora de subir ao altar. Mas o momento de subir no lugar mais alto do seu estado de prazer. O amor concreto.
Clarice conheceu James.
Nome de príncipe, pensava ela.
O que era raro em uma cidade semi-povoada por tantos Paulos, Josés e Severinos.
Não era isso que sonhava para ela.
James tinha jeito de príncipe. Declicado. Rosto rosado. E seria incapaz de matar até uma barata.
(ponto negativo)
Mas todo mundo tem defeito.
E naquele momento, era o sonho da menina Clarice sendo realizado. Mas como cavalheiro respeitador, James sugeriu casar de branco.
Clarice discordou.
Não estava preparada para casar até conhecer o amor de perto.
Sugeriu uma viagem romântica, quem sabe um parque deserto, para assim concretizar o tão sonhado momento de princesa:
sua primeira vez.
James, com toda a sua delicadeza de macho, resolvou realizar o sonho da menina.
Preparou tudo.
Esquentou até a banheira.
Mas como assim?
Clarice, extasiada com a certeza de ser mulher, demorou para perceber que todos os seus sonhos estavam em um motel.
Exatamente. Beira de estrada.
Com apretechos de macho. Desejo carnal e quadros de atrizes da década de 60 beijando homens e cavalos.
Mas e clarice?
Onde estava o amor?
Ouviu james falar em seu ouvido: “ viu que lindo o amor de Sônia Lima por um cavalo?”
Olhou para si mesma no espelho do teto. A cama vermelha.
O lençol branco.
O outro espelho. Mais espelho.
Em todos eles, podia ver os seus sonhos de amor reduzidos a uma expressão de desespero.
James achava tudo aquilo romântico.
Antes de começar a despir o seu vestido – ironicamente branco- a menina suspirou:
Quero casar de branco.
James concordou.
E assim foram embora. Sem delicadeza. Sem amor.
E por favor, príncipes jamais. Eles lembram cavalos.
Bem romântica.
E como todo menina que acordava vendo o passarinho azul mesmo quando dorme pouco , ela sonhava com o momento máximo que descobriria o amor:
Sua primeira vez.
Ainda na flor da sua idade de menina-flor, acreditava ser esse o momento mais romântico do mundo.
Mais ainda do que o casamento.
Nem precisava esperar por ele para descobrir o amor.
Clarice casaria de rosa sem problemas e sem falatório de cidade pequena.
Rosa era sua cor preferida e ponto final.
Então, estava chegando o momento.
Não a hora de subir ao altar. Mas o momento de subir no lugar mais alto do seu estado de prazer. O amor concreto.
Clarice conheceu James.
Nome de príncipe, pensava ela.
O que era raro em uma cidade semi-povoada por tantos Paulos, Josés e Severinos.
Não era isso que sonhava para ela.
James tinha jeito de príncipe. Declicado. Rosto rosado. E seria incapaz de matar até uma barata.
(ponto negativo)
Mas todo mundo tem defeito.
E naquele momento, era o sonho da menina Clarice sendo realizado. Mas como cavalheiro respeitador, James sugeriu casar de branco.
Clarice discordou.
Não estava preparada para casar até conhecer o amor de perto.
Sugeriu uma viagem romântica, quem sabe um parque deserto, para assim concretizar o tão sonhado momento de princesa:
sua primeira vez.
James, com toda a sua delicadeza de macho, resolvou realizar o sonho da menina.
Preparou tudo.
Esquentou até a banheira.
Mas como assim?
Clarice, extasiada com a certeza de ser mulher, demorou para perceber que todos os seus sonhos estavam em um motel.
Exatamente. Beira de estrada.
Com apretechos de macho. Desejo carnal e quadros de atrizes da década de 60 beijando homens e cavalos.
Mas e clarice?
Onde estava o amor?
Ouviu james falar em seu ouvido: “ viu que lindo o amor de Sônia Lima por um cavalo?”
Olhou para si mesma no espelho do teto. A cama vermelha.
O lençol branco.
O outro espelho. Mais espelho.
Em todos eles, podia ver os seus sonhos de amor reduzidos a uma expressão de desespero.
James achava tudo aquilo romântico.
Antes de começar a despir o seu vestido – ironicamente branco- a menina suspirou:
Quero casar de branco.
James concordou.
E assim foram embora. Sem delicadeza. Sem amor.
E por favor, príncipes jamais. Eles lembram cavalos.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Pedro Pendura
Pedro resolveu viver no pendura.
Cansou dessa vida inútil, de interesses. Cansou de depender de dinheiro para ser feliz.
Cansou de contar os reais até para tomar um chopp na padaria. Não dava mais.
Claro que não dava para sair por aí rasgando dinheiro, nem morar no carro.
Ser hippie era um conceito muito ultrapassado.
Afinal, a magia de um só existia no musical Hair. E falando em magia, ela já acaba no estado do cabelo de qualquer um.
Mas pera aí. Hippie morando em carro 1.4 CV. Ok.
Hippie que só toma banho se for de perfume. Chanel.
Ok mais ainda.
Argumentos válidos para acabar com qualquer tentativa de ser hippie.
Viver no pendura era melhor.
Que delícia era tomar o chopp da esquina e dizer: põe na conta.
Que delícia era chegar no restaurante chique. Levar a mulher para um jantar romântico e não pagar nada.
“ põe na conta dela, que tem menos penduras do que eu”.
Ter menos penduras do que ele, significava ter mais crédito na praça. Quase um Lis à moda antiga. Só que sem juros.
Ou seja: muito mais vantagens do que um cartão de crédito.
Pedro estava feliz da vida. Prestes a contar para todo mundo, a sua teoria do pendura.
Pendura eu, pendura tu, pendura ele.
Se todo mundo fizer igual, chegaremos a um conceito comunista que ninguém conseguiu chegar.
Não precisaremos achar que nada nem dono, nem sair roubando por ai.
Apenas um vai fazendo caridade para o outro.
O mendigo pediu esmola. Coloca no pendura, Mano.
Outro dia te pago. ( bom, ele já fazia isso com o flanelinha).
Bom, pra infelicidade de Pedro. A festa do cartão de crédito sem juros acabou quando o chefe assinou a sua demissão.
Motivo?
Pendura.
Pendura as chuteiras.
Voltou Pedro para a casa, lendo o seu jornal.
Deixou o troco para pagar os 7 jornais da semana passada.
Cansou dessa vida inútil, de interesses. Cansou de depender de dinheiro para ser feliz.
Cansou de contar os reais até para tomar um chopp na padaria. Não dava mais.
Claro que não dava para sair por aí rasgando dinheiro, nem morar no carro.
Ser hippie era um conceito muito ultrapassado.
Afinal, a magia de um só existia no musical Hair. E falando em magia, ela já acaba no estado do cabelo de qualquer um.
Mas pera aí. Hippie morando em carro 1.4 CV. Ok.
Hippie que só toma banho se for de perfume. Chanel.
Ok mais ainda.
Argumentos válidos para acabar com qualquer tentativa de ser hippie.
Viver no pendura era melhor.
Que delícia era tomar o chopp da esquina e dizer: põe na conta.
Que delícia era chegar no restaurante chique. Levar a mulher para um jantar romântico e não pagar nada.
“ põe na conta dela, que tem menos penduras do que eu”.
Ter menos penduras do que ele, significava ter mais crédito na praça. Quase um Lis à moda antiga. Só que sem juros.
Ou seja: muito mais vantagens do que um cartão de crédito.
Pedro estava feliz da vida. Prestes a contar para todo mundo, a sua teoria do pendura.
Pendura eu, pendura tu, pendura ele.
Se todo mundo fizer igual, chegaremos a um conceito comunista que ninguém conseguiu chegar.
Não precisaremos achar que nada nem dono, nem sair roubando por ai.
Apenas um vai fazendo caridade para o outro.
O mendigo pediu esmola. Coloca no pendura, Mano.
Outro dia te pago. ( bom, ele já fazia isso com o flanelinha).
Bom, pra infelicidade de Pedro. A festa do cartão de crédito sem juros acabou quando o chefe assinou a sua demissão.
Motivo?
Pendura.
Pendura as chuteiras.
Voltou Pedro para a casa, lendo o seu jornal.
Deixou o troco para pagar os 7 jornais da semana passada.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
estacões
Alegria ( verão)
Tristeza (inverno)
Alegria com tristeza (primavera)
Tristeza com alegria (outono)
Tristeza (inverno)
Alegria com tristeza (primavera)
Tristeza com alegria (outono)
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
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