terça-feira, 26 de abril de 2011
Talvez
Pode ser sim. Pode ser não.
Pode ser noite. Pode ser dia.
Pode ser abraço.
Pode ser saudade.
Talvez seja você.
Pode ser noite. Pode ser dia.
Pode ser abraço.
Pode ser saudade.
Talvez seja você.
Nunca
O teu nunca sempre foi um motivo a mais
Uma risada a mais.
Um pouco de esperança.
O teu nunca sempre foi um pouco do meu nada.
Um martírio. Uma dança.
O teu nunca sempre foi um espere um pouco mais.
Foi meia hora de silêncio, quando eu só queria um minuto.
Sempre foi um sorriso de ternura quando podia chover.
O teu nunca sempre foi fim de tarde.
Calçada vazia e céu vermelho.
E para fazer um contraste não tão belo.
Foi meu sorriso amarelo.
O teu nunca sempre foi a hora devagar.
Sem pressa.
O instante em que meu sorriso se perdeu no teu coracão.
O teu nunca sempre foi meu elo.
O teu nunca também é sempre.
É sempre um carinho desengonçado.
Uma cosquinha que se faz no céu.
Uma nuvem branca, um papel amarelado.
O teu nunca é meu.
Pra sempre.
Uma risada a mais.
Um pouco de esperança.
O teu nunca sempre foi um pouco do meu nada.
Um martírio. Uma dança.
O teu nunca sempre foi um espere um pouco mais.
Foi meia hora de silêncio, quando eu só queria um minuto.
Sempre foi um sorriso de ternura quando podia chover.
O teu nunca sempre foi fim de tarde.
Calçada vazia e céu vermelho.
E para fazer um contraste não tão belo.
Foi meu sorriso amarelo.
O teu nunca sempre foi a hora devagar.
Sem pressa.
O instante em que meu sorriso se perdeu no teu coracão.
O teu nunca sempre foi meu elo.
O teu nunca também é sempre.
É sempre um carinho desengonçado.
Uma cosquinha que se faz no céu.
Uma nuvem branca, um papel amarelado.
O teu nunca é meu.
Pra sempre.
sábado, 26 de março de 2011
A sorte foi lançada
Anamaria pegou o
buquê de casamento mais disputado da cidade.Casamento chique aquele.
Com direito a Castelo medieval, o melhor padre da região, e até pratos que eram escolhidos pela
nacionalidade.
E ainda tinha o grande astro da festa: o vestido de casamento.
Só naquele vestido,meu deus, a noiva poderia comprar um carro popular de presente para seus futuros 3 filhos. E olhe que ela só queria um.
E Anamaria nem era tão chique assim. Conheceu a noiva na fila de uma lotérica. Sorte? Talvez.
Fila imensa. Notando a preocupação da fina moça , afinal, vida de noiva é bem corrida, Anamaria cedeu o lugar da fila.
Desde então, virou melhor amiga de Carla Patrícia.
Ensinou a garota a pintar a mão, deu truques de maquiagem e ainda ajudou no discurso de casamento. Era o sonho da vida de Carla patrícia. Era o comeco do sonho de Anamaria.
Mal sabia que a fila na loteria mudaria sua sorte. Pegou o buquê de casamento. Meu deus. “ Será que meu futuro marido está aqui?” Pensou olhando por entre convidados.
Focou em um deles, que focado na “nacionalidade brasileira” do buffet, ficou constrangido, por ser pego em flagrante, tentando morder um caranguejo sem nem usar o martelo.
Olhou um pouco mais adiante e viu um bêbado engraçado dando em cima de todas as madrinhas. Corou. Podia ser qualquer um deles.
A sorte do amor estava lançada. E entre tantas ricas donzelas, foi Anamaria quem pegou.
Mal sabia Anamaria que sorte de buquê é sorte jogada. E dos outros.É praticamente um
bomborim da infância.
Que azar. Seu marido seria simplesmente escolhido da mesma forma.
Aliás, como muitos casamentos também são. Ficou ali entre várias mulheres, tentando chamar atencão, pulando desesperada.
Casou com o próprio buquê. Casaria com qualquer um, que por sorte, cruzasse o seu caminho. Casou com qualquer um que de fato cruzou o seu caminho.
Por sorte, era o moço do caranguejo.
Mas como ao contrário do buquê, casamento não é feito só de flores, a coisa não deu muito certo. Em pouco tempo, já não suportava mais o jeito dele comer.
E aquele romance nem tinha tanto encanto. Já não suportava mais vê-lo ensaiando a marcha nupcial para tentar fazer Anamaria sorrir.
Mal sabia ela que destino, não necessariamente significa sorte.
Desviou o caminho da loteria pra sempre. Nunca mais foi a um casamento.
E se pudesse voltar no tempo, com certeza, daria aquele buquê, aliás, aquele marido, à primeira convidada desesperada.
Aquela que pulava com um salto agulha 25 cm merecia mais.
buquê de casamento mais disputado da cidade.Casamento chique aquele.
Com direito a Castelo medieval, o melhor padre da região, e até pratos que eram escolhidos pela
nacionalidade.
E ainda tinha o grande astro da festa: o vestido de casamento.
Só naquele vestido,meu deus, a noiva poderia comprar um carro popular de presente para seus futuros 3 filhos. E olhe que ela só queria um.
E Anamaria nem era tão chique assim. Conheceu a noiva na fila de uma lotérica. Sorte? Talvez.
Fila imensa. Notando a preocupação da fina moça , afinal, vida de noiva é bem corrida, Anamaria cedeu o lugar da fila.
Desde então, virou melhor amiga de Carla Patrícia.
Ensinou a garota a pintar a mão, deu truques de maquiagem e ainda ajudou no discurso de casamento. Era o sonho da vida de Carla patrícia. Era o comeco do sonho de Anamaria.
Mal sabia que a fila na loteria mudaria sua sorte. Pegou o buquê de casamento. Meu deus. “ Será que meu futuro marido está aqui?” Pensou olhando por entre convidados.
Focou em um deles, que focado na “nacionalidade brasileira” do buffet, ficou constrangido, por ser pego em flagrante, tentando morder um caranguejo sem nem usar o martelo.
Olhou um pouco mais adiante e viu um bêbado engraçado dando em cima de todas as madrinhas. Corou. Podia ser qualquer um deles.
A sorte do amor estava lançada. E entre tantas ricas donzelas, foi Anamaria quem pegou.
Mal sabia Anamaria que sorte de buquê é sorte jogada. E dos outros.É praticamente um
bomborim da infância.
Que azar. Seu marido seria simplesmente escolhido da mesma forma.
Aliás, como muitos casamentos também são. Ficou ali entre várias mulheres, tentando chamar atencão, pulando desesperada.
Casou com o próprio buquê. Casaria com qualquer um, que por sorte, cruzasse o seu caminho. Casou com qualquer um que de fato cruzou o seu caminho.
Por sorte, era o moço do caranguejo.
Mas como ao contrário do buquê, casamento não é feito só de flores, a coisa não deu muito certo. Em pouco tempo, já não suportava mais o jeito dele comer.
E aquele romance nem tinha tanto encanto. Já não suportava mais vê-lo ensaiando a marcha nupcial para tentar fazer Anamaria sorrir.
Mal sabia ela que destino, não necessariamente significa sorte.
Desviou o caminho da loteria pra sempre. Nunca mais foi a um casamento.
E se pudesse voltar no tempo, com certeza, daria aquele buquê, aliás, aquele marido, à primeira convidada desesperada.
Aquela que pulava com um salto agulha 25 cm merecia mais.
quarta-feira, 23 de março de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Epitáfio
Maximiliano Alves Motta tinha 39 anos e poucos ideais.
Apegou-se à rotina. Na sua idade, sem filhos e com um emprego medíocre, era a única coisa que podia gerar algum tipo de afeição à vida.
Sentia prazer em acordar cedo, olhar as plantas e mais ainda em ler o seu jornal tomando o café sem açúcar.
Tinha uma teoria. Homem que é homem toma café puro. Esse sim merece respeito.
E falando em respeito, o bigode estava lá confirmando toda a sua autarquia.
Mas foi numa dessas manhãs rotineiras, que abriu o jornal e deparou-se com a fatídica notícia: seu próprio obituário. Deu tontura, agonia e até asma.
Não era possível. Mas era exatamente a sua foto: camisa florida e alegria estampada, enquanto curtia um antigo carnaval de Salvador. Uma época em que até amor chegou a sentir por Sandrinha: aquela baiana arretada, alegre e de grandes peitos.
Chegou a pensar que devia estar morto. Tinha acordado no além, só pode. Mas como não viu nem sinal do capeta, nem muito menos de Deus, logo percebeu que não tinha morrido.
Fato era que bebeu tanto que dormiu pensando: qualquer dia eu bebo até morrer. Meu jesus, me abençoa, prometo que foi a última vez.
Mas não foi pra tanto.
Talvez fosse alguma peça do destino. O jornal ta tão moderno que tava adivinhando até seu futuro.
E dessa vez, era possível.
Virou a página no jornal e tinha lá:
25 de Março de 2018.
Faltavam dois meses para sua morte.
E agora? O que ia fazer para aproveitar o tempo que restava?
Quantos cafés de macho ainda despertariam Maximiliano em todas as manhãs?
Na situação de solidão dele, provavelmente, só a rotina iria a seu enterro.
O que por ele, já era alegria demais.
Vestiria a rotina com um vestido rendado branco e dormiria com ela no cemitério mais bonito da cidade. Cemitério onde o coveiro ia gostar de passar todo dia às 6h da manhã, limpar as flores e ler o jornal. Necessariamente nesta ordem.
Mas não era bem assim. Em seu obituário dizia:
"Maximiliano Alves. 39 anos. Homem de bem. Homem que descobriu o amor no fim da sua vida. Homem que lutou até o fim. Corajoso, único."
De sua eterna amada, Sandrinha.
Por um instante, Maximiliano suou. Como possível? Sandrinha, aqueles belos peitos. Aquele sorriso contagiante que ele deixara em pleno carnaval, com olhos de saudade…
Era ela, o seu amor.
Era ela que o faria trocar a rotina. Era ela!!
Por um instante, amou. Sentiu calafrio, sentiu a alma sorrindo.
Até que a campainha tocou.
“é hoje”.
Abriu a porta e levou um tiro. No coração. Logo o coração que acabara de ser flechado.
Já era. Morreu na hora.
Dizia a lenda da cidade: homem que ama só uma vez na vida, morre num tiro só.
Sandrinha correu.
E esquecido e abandonado como era o Maximiliano, azar.
Só descobriram sua morte 2 meses depois.
O obituário saiu atrasado.
E Sandrinha, como a viúva romântica do obituário que fez a população inteira chorar, saiu por inocente.
Apegou-se à rotina. Na sua idade, sem filhos e com um emprego medíocre, era a única coisa que podia gerar algum tipo de afeição à vida.
Sentia prazer em acordar cedo, olhar as plantas e mais ainda em ler o seu jornal tomando o café sem açúcar.
Tinha uma teoria. Homem que é homem toma café puro. Esse sim merece respeito.
E falando em respeito, o bigode estava lá confirmando toda a sua autarquia.
Mas foi numa dessas manhãs rotineiras, que abriu o jornal e deparou-se com a fatídica notícia: seu próprio obituário. Deu tontura, agonia e até asma.
Não era possível. Mas era exatamente a sua foto: camisa florida e alegria estampada, enquanto curtia um antigo carnaval de Salvador. Uma época em que até amor chegou a sentir por Sandrinha: aquela baiana arretada, alegre e de grandes peitos.
Chegou a pensar que devia estar morto. Tinha acordado no além, só pode. Mas como não viu nem sinal do capeta, nem muito menos de Deus, logo percebeu que não tinha morrido.
Fato era que bebeu tanto que dormiu pensando: qualquer dia eu bebo até morrer. Meu jesus, me abençoa, prometo que foi a última vez.
Mas não foi pra tanto.
Talvez fosse alguma peça do destino. O jornal ta tão moderno que tava adivinhando até seu futuro.
E dessa vez, era possível.
Virou a página no jornal e tinha lá:
25 de Março de 2018.
Faltavam dois meses para sua morte.
E agora? O que ia fazer para aproveitar o tempo que restava?
Quantos cafés de macho ainda despertariam Maximiliano em todas as manhãs?
Na situação de solidão dele, provavelmente, só a rotina iria a seu enterro.
O que por ele, já era alegria demais.
Vestiria a rotina com um vestido rendado branco e dormiria com ela no cemitério mais bonito da cidade. Cemitério onde o coveiro ia gostar de passar todo dia às 6h da manhã, limpar as flores e ler o jornal. Necessariamente nesta ordem.
Mas não era bem assim. Em seu obituário dizia:
"Maximiliano Alves. 39 anos. Homem de bem. Homem que descobriu o amor no fim da sua vida. Homem que lutou até o fim. Corajoso, único."
De sua eterna amada, Sandrinha.
Por um instante, Maximiliano suou. Como possível? Sandrinha, aqueles belos peitos. Aquele sorriso contagiante que ele deixara em pleno carnaval, com olhos de saudade…
Era ela, o seu amor.
Era ela que o faria trocar a rotina. Era ela!!
Por um instante, amou. Sentiu calafrio, sentiu a alma sorrindo.
Até que a campainha tocou.
“é hoje”.
Abriu a porta e levou um tiro. No coração. Logo o coração que acabara de ser flechado.
Já era. Morreu na hora.
Dizia a lenda da cidade: homem que ama só uma vez na vida, morre num tiro só.
Sandrinha correu.
E esquecido e abandonado como era o Maximiliano, azar.
Só descobriram sua morte 2 meses depois.
O obituário saiu atrasado.
E Sandrinha, como a viúva romântica do obituário que fez a população inteira chorar, saiu por inocente.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Luneta
Tinha um brilho diferente nos olhos de Carola.
Ela chegou a supor que poderia ser a lua.
A lua tem dessas coisas. Vez por outra, tem mais estrelas a seu redor do que o normal.
E isso não poderia ser à toa.
Porque foi exatamente nessa época que olhar de Carola tinha mais estrelas ao redor.
Coisa de menina romântica que ainda faz da lua, um filme na noite de sábado. Olhar a lua faz bem à alma, já dizia a menina.
E amar faz bem aos olhos. Como assim?
Começou a dizer que o amor é cego desde que foi ofuscada por um brilho intenso. E esse brilho, nem as estrelas podia roubar.
Nem as estrelas podiam roubar o tal menino de Carola.
O céu, talvez, tenha alguma permissão.
Mas só porque era lá que ela vivia desde que foi ofuscada. O amor não é cego. O amor cega.
E sem ver ela poderia sentir. ( talvez nesse momento, a lua tenha se escondido por trás das nuvens)
Muito mais. E de verdade.
Ela chegou a supor que poderia ser a lua.
A lua tem dessas coisas. Vez por outra, tem mais estrelas a seu redor do que o normal.
E isso não poderia ser à toa.
Porque foi exatamente nessa época que olhar de Carola tinha mais estrelas ao redor.
Coisa de menina romântica que ainda faz da lua, um filme na noite de sábado. Olhar a lua faz bem à alma, já dizia a menina.
E amar faz bem aos olhos. Como assim?
Começou a dizer que o amor é cego desde que foi ofuscada por um brilho intenso. E esse brilho, nem as estrelas podia roubar.
Nem as estrelas podiam roubar o tal menino de Carola.
O céu, talvez, tenha alguma permissão.
Mas só porque era lá que ela vivia desde que foi ofuscada. O amor não é cego. O amor cega.
E sem ver ela poderia sentir. ( talvez nesse momento, a lua tenha se escondido por trás das nuvens)
Muito mais. E de verdade.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Um conto sobre o desamor
Clarice Maria Reis era romântica.
Bem romântica.
E como todo menina que acordava vendo o passarinho azul mesmo quando dorme pouco , ela sonhava com o momento máximo que descobriria o amor:
Sua primeira vez.
Ainda na flor da sua idade de menina-flor, acreditava ser esse o momento mais romântico do mundo.
Mais ainda do que o casamento.
Nem precisava esperar por ele para descobrir o amor.
Clarice casaria de rosa sem problemas e sem falatório de cidade pequena.
Rosa era sua cor preferida e ponto final.
Então, estava chegando o momento.
Não a hora de subir ao altar. Mas o momento de subir no lugar mais alto do seu estado de prazer. O amor concreto.
Clarice conheceu James.
Nome de príncipe, pensava ela.
O que era raro em uma cidade semi-povoada por tantos Paulos, Josés e Severinos.
Não era isso que sonhava para ela.
James tinha jeito de príncipe. Declicado. Rosto rosado. E seria incapaz de matar até uma barata.
(ponto negativo)
Mas todo mundo tem defeito.
E naquele momento, era o sonho da menina Clarice sendo realizado. Mas como cavalheiro respeitador, James sugeriu casar de branco.
Clarice discordou.
Não estava preparada para casar até conhecer o amor de perto.
Sugeriu uma viagem romântica, quem sabe um parque deserto, para assim concretizar o tão sonhado momento de princesa:
sua primeira vez.
James, com toda a sua delicadeza de macho, resolvou realizar o sonho da menina.
Preparou tudo.
Esquentou até a banheira.
Mas como assim?
Clarice, extasiada com a certeza de ser mulher, demorou para perceber que todos os seus sonhos estavam em um motel.
Exatamente. Beira de estrada.
Com apretechos de macho. Desejo carnal e quadros de atrizes da década de 60 beijando homens e cavalos.
Mas e clarice?
Onde estava o amor?
Ouviu james falar em seu ouvido: “ viu que lindo o amor de Sônia Lima por um cavalo?”
Olhou para si mesma no espelho do teto. A cama vermelha.
O lençol branco.
O outro espelho. Mais espelho.
Em todos eles, podia ver os seus sonhos de amor reduzidos a uma expressão de desespero.
James achava tudo aquilo romântico.
Antes de começar a despir o seu vestido – ironicamente branco- a menina suspirou:
Quero casar de branco.
James concordou.
E assim foram embora. Sem delicadeza. Sem amor.
E por favor, príncipes jamais. Eles lembram cavalos.
Bem romântica.
E como todo menina que acordava vendo o passarinho azul mesmo quando dorme pouco , ela sonhava com o momento máximo que descobriria o amor:
Sua primeira vez.
Ainda na flor da sua idade de menina-flor, acreditava ser esse o momento mais romântico do mundo.
Mais ainda do que o casamento.
Nem precisava esperar por ele para descobrir o amor.
Clarice casaria de rosa sem problemas e sem falatório de cidade pequena.
Rosa era sua cor preferida e ponto final.
Então, estava chegando o momento.
Não a hora de subir ao altar. Mas o momento de subir no lugar mais alto do seu estado de prazer. O amor concreto.
Clarice conheceu James.
Nome de príncipe, pensava ela.
O que era raro em uma cidade semi-povoada por tantos Paulos, Josés e Severinos.
Não era isso que sonhava para ela.
James tinha jeito de príncipe. Declicado. Rosto rosado. E seria incapaz de matar até uma barata.
(ponto negativo)
Mas todo mundo tem defeito.
E naquele momento, era o sonho da menina Clarice sendo realizado. Mas como cavalheiro respeitador, James sugeriu casar de branco.
Clarice discordou.
Não estava preparada para casar até conhecer o amor de perto.
Sugeriu uma viagem romântica, quem sabe um parque deserto, para assim concretizar o tão sonhado momento de princesa:
sua primeira vez.
James, com toda a sua delicadeza de macho, resolvou realizar o sonho da menina.
Preparou tudo.
Esquentou até a banheira.
Mas como assim?
Clarice, extasiada com a certeza de ser mulher, demorou para perceber que todos os seus sonhos estavam em um motel.
Exatamente. Beira de estrada.
Com apretechos de macho. Desejo carnal e quadros de atrizes da década de 60 beijando homens e cavalos.
Mas e clarice?
Onde estava o amor?
Ouviu james falar em seu ouvido: “ viu que lindo o amor de Sônia Lima por um cavalo?”
Olhou para si mesma no espelho do teto. A cama vermelha.
O lençol branco.
O outro espelho. Mais espelho.
Em todos eles, podia ver os seus sonhos de amor reduzidos a uma expressão de desespero.
James achava tudo aquilo romântico.
Antes de começar a despir o seu vestido – ironicamente branco- a menina suspirou:
Quero casar de branco.
James concordou.
E assim foram embora. Sem delicadeza. Sem amor.
E por favor, príncipes jamais. Eles lembram cavalos.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Pedro Pendura
Pedro resolveu viver no pendura.
Cansou dessa vida inútil, de interesses. Cansou de depender de dinheiro para ser feliz.
Cansou de contar os reais até para tomar um chopp na padaria. Não dava mais.
Claro que não dava para sair por aí rasgando dinheiro, nem morar no carro.
Ser hippie era um conceito muito ultrapassado.
Afinal, a magia de um só existia no musical Hair. E falando em magia, ela já acaba no estado do cabelo de qualquer um.
Mas pera aí. Hippie morando em carro 1.4 CV. Ok.
Hippie que só toma banho se for de perfume. Chanel.
Ok mais ainda.
Argumentos válidos para acabar com qualquer tentativa de ser hippie.
Viver no pendura era melhor.
Que delícia era tomar o chopp da esquina e dizer: põe na conta.
Que delícia era chegar no restaurante chique. Levar a mulher para um jantar romântico e não pagar nada.
“ põe na conta dela, que tem menos penduras do que eu”.
Ter menos penduras do que ele, significava ter mais crédito na praça. Quase um Lis à moda antiga. Só que sem juros.
Ou seja: muito mais vantagens do que um cartão de crédito.
Pedro estava feliz da vida. Prestes a contar para todo mundo, a sua teoria do pendura.
Pendura eu, pendura tu, pendura ele.
Se todo mundo fizer igual, chegaremos a um conceito comunista que ninguém conseguiu chegar.
Não precisaremos achar que nada nem dono, nem sair roubando por ai.
Apenas um vai fazendo caridade para o outro.
O mendigo pediu esmola. Coloca no pendura, Mano.
Outro dia te pago. ( bom, ele já fazia isso com o flanelinha).
Bom, pra infelicidade de Pedro. A festa do cartão de crédito sem juros acabou quando o chefe assinou a sua demissão.
Motivo?
Pendura.
Pendura as chuteiras.
Voltou Pedro para a casa, lendo o seu jornal.
Deixou o troco para pagar os 7 jornais da semana passada.
Cansou dessa vida inútil, de interesses. Cansou de depender de dinheiro para ser feliz.
Cansou de contar os reais até para tomar um chopp na padaria. Não dava mais.
Claro que não dava para sair por aí rasgando dinheiro, nem morar no carro.
Ser hippie era um conceito muito ultrapassado.
Afinal, a magia de um só existia no musical Hair. E falando em magia, ela já acaba no estado do cabelo de qualquer um.
Mas pera aí. Hippie morando em carro 1.4 CV. Ok.
Hippie que só toma banho se for de perfume. Chanel.
Ok mais ainda.
Argumentos válidos para acabar com qualquer tentativa de ser hippie.
Viver no pendura era melhor.
Que delícia era tomar o chopp da esquina e dizer: põe na conta.
Que delícia era chegar no restaurante chique. Levar a mulher para um jantar romântico e não pagar nada.
“ põe na conta dela, que tem menos penduras do que eu”.
Ter menos penduras do que ele, significava ter mais crédito na praça. Quase um Lis à moda antiga. Só que sem juros.
Ou seja: muito mais vantagens do que um cartão de crédito.
Pedro estava feliz da vida. Prestes a contar para todo mundo, a sua teoria do pendura.
Pendura eu, pendura tu, pendura ele.
Se todo mundo fizer igual, chegaremos a um conceito comunista que ninguém conseguiu chegar.
Não precisaremos achar que nada nem dono, nem sair roubando por ai.
Apenas um vai fazendo caridade para o outro.
O mendigo pediu esmola. Coloca no pendura, Mano.
Outro dia te pago. ( bom, ele já fazia isso com o flanelinha).
Bom, pra infelicidade de Pedro. A festa do cartão de crédito sem juros acabou quando o chefe assinou a sua demissão.
Motivo?
Pendura.
Pendura as chuteiras.
Voltou Pedro para a casa, lendo o seu jornal.
Deixou o troco para pagar os 7 jornais da semana passada.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
estacões
Alegria ( verão)
Tristeza (inverno)
Alegria com tristeza (primavera)
Tristeza com alegria (outono)
Tristeza (inverno)
Alegria com tristeza (primavera)
Tristeza com alegria (outono)
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Assinar:
Postagens (Atom)