quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

do céu

Devolva a lua que te dei na noite passada e você pendurou no céu.

coração e papel

coração de papel:

rasgou bem no meio do peito.

prisão

matou a saudade e foi preso pelo abraço.

desenhos e estrelas

sorte é da estrela cadente que pode desenhar pelo céu.

coração

meu coração. essa rima sem verso.


sem nexo.


esse salto do peito: sobressalto.


meu coração. esse pulo de alegria.


essa pancada de tristeza.


que bate.

meu coração:

essa poesia que nunca sai do peito.

lua

a única forma que a noite encontrou de fazer poesia.

solidão

Para a solidão, o silêncio é música.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Caio F. de Abreu

"Ela é uma moça de poses delicadas, sorrisos discretos e olhar misterioso. Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna."

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Para você, o melhor de mim.

Para você guardei o amor que eu nem pensava em existir. E agora me pergunto: como esse amor, de tão grande, conseguiu ficar escondido por tanto tempo?

Não caberia em uma caixinha. Nem muito menos em uma gaveta. Trancada para não ir embora junto ao vento. E mesmo que coubesse em uma gaveta, ele não mereceria fazer companhia a solitárias cartas amareladas de amigos, ou quem sabe, de amores do passado. O que são esses amores perto de você, a maior carta que, mesmo ainda em branco, já escrevi?

Porque foi para você que guardei o melhor de mim. É como se a gente escolhesse uma música que ama e ela só tivesse o refrão. Isso mesmo: sua música preferida e a melhor parte dela, tocando sem parar. É assim que posso definir o melhor de mim.

Ou se fosse possível escolher sonhos em um jukebox. Sonhos doces de uma linda melodia. Cada noite escolheria um tom diferente para embalar o sono. Assim como um dia vou embalar você.

Dançando: talvez aí esteja o meu melhor. Dançando comendo brigadeiro de bolinha colorida no chão cheio de poeira de casa. Talvez algum vizinho de longe enxergue e ache engraçado.

Só que mais engraçado ainda é a camisa branca, grande, sem graça combinando com meu melhor sapato: os pés no chão.

Porque é assim que vejo o melhor de mim.

Talvez eu também encontre um pedaço do "meu melhor" em um banquinho de praça, junto a um pipoqueiro velhinho, brincando de enrolar algodão-doce.

E mais uma vez penso em você: podia ser você, uma doce ternura, sendo enrolado em uma pequena manta de algodão. E mais uma vez sinto amor.

Sinto como se pudesse estar no céu, pintando todas as nuvens de azul. Porque nos seus desenhos, as nuvens tem que ser azuis. Ou já viu lápis "colorido" que seja branco ter alguma graça?


Talvez você ria disso e seja uma risada tão gostosa que vai fazer cócegas no meu coração. E que fique bem claro: vai ser a primeira vez na vida que vou ver risada fazendo cócegas. Geralmente, acontece o contrário.

E mais uma vez descubro o melhor de mim: cócegas no pé. Isso não é divertido, mas é um segredo tão grande como o meu coração.

Agora que já amo você, não temos mais segredos. Você acabou de descobrir que guardei esse tempo todo, todo meu amor, exatamente no coração. Afinal, não existe gaveta que guarde mais lembranças do que essa.

E como um amor tão grande conseguiu ficar guardado tanto tempo no meu pequeno coração?

Por você, meu bebê, eu tento ser muito melhor. E para isso, o meu coração precisa ser tão grande quanto o nosso amor.